Diários de Quarentena [excertos] #04

© Catarina Câmara

Diários de uma Quarentena

Com a suspensão das atividades presenciais, devido ao estado de pandemia por COVID 19, o projecto CORPOEMCADEIA (CC), em colaboração com a Direção do EP LInhó, implementou um regime semanal de encontros/sessões on line e a distribuição de emails com desafios criativos, partilha de pensamentos, imagens e histórias.

O resultado tem sido um vai-vem de palavras e imagens entre a equipa do CC e os participantes, que nos faz desenhar outros movimentos e ajuda a abreviar a saudade.

Aqui deixamos fragmentos de algumas dessas cartas escritas pelo grupo de participantes.


I.

“Quero acordar deste pesadelo

Que não tem dia para acabar

Mas tem números que nunca mais acabam

De mortalidade

No jardim do amor

Tantas rosas encontrei

Até algumas delas

No meu coração guardei…

Problema: no final de cada história

Acabará sempre da mesma forma

Por caminhar sozinho

Como lobo solitário…

II.

O mundo gira e gira

Mas acabamos sempre

No ponto de partida

Como sol e lua

Vão e voltam todos os dias

Como as estações do tempo

Estão sempre a mudar

Mas voltam sempre ao mesmo

Com a terra e o mar

Estão ligados para toda a eternidade

O nosso amor é igual

Com tantos altos e baixos

Continuamos unidos

Como unha e carne

Memória de infância: acordei, encontrei policias por todo lado lá em casa, com máscaras, todo o tipo de armas e um cão. Meteram a minha tia, tio e primo algemados no solo, menos eu por ser menor de idade. Perguntaram à minha família se o meu outro tio que não estava em casa ainda morava ali, porque estava a ser procurado por eles. Tinha apenas 11 onze anos. Ficou gravado na memória como leitor de DVD.”