CICLO CORPO CRIATIVO | Notas de Criação #02

© Fernando Alves

Conversa a 24 de Janeiro

“Eu não quero falar sobre as vossas tristezas, mas também não quero passar por cima delas. As inquietações existem na existência de cada ser humano.

Não tenho nenhuma ideia escondida na manga, não há um tema que me interesse debruçar. Não tenho como finalidade, expor ao mundo uma visão crítica sobre o sistema prisional.

O segredo desta peça está em cada um de vocês, no caminho que farei na vossa direção e no que formos encontrando nesse percurso.

Penso que a liberdade é um dos melhores bens do mundo. Este espetáculo é um caminho para essa liberdade, é um verdadeiro encontro com ela. Apesar de cada representação não passar de uma ficção, o seu tempo de atuar é real. Às vezes até ultrapassa a realidade para esse lugar onde só o artista tem acesso, que é precisamente a liberdade de espírito.

O momento da verdade que vem de dentro. O criador e o interprete têm de ser verdadeiros, mesmo na mentira.

Podemos guardar os nossos segredos verbalmente, mas eles estão impressos no nosso corpo. O corpo tem a capacidade de dizer a verdade escondendo-a.

Inventar não é mais que transformar a realidade numa outra, fora do tempo e do espaço. Criar é uma construção que nos pode acompanhar a vida inteira se estivermos atentos, se deixarmos o pensamento à solta, à procura, a arquitetar novas possibilidades, novas visões. A arte da criação é um companheiro de vida. A criatividade afasta-nos dos lugares escuros. A criatividade é sempre uma luz. Se existe um paraíso ele está dentro de cada um de nós e tem um nome – Arte. […]”

Olga Roriz

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